terça-feira, 29 de setembro de 2026

Uma decisão.

Em janeiro de 2027, se eu ainda habitar este planeta, encerrarei as postagens neste blog. 

Será um ciclo que se cumpriu. Tenho sentido cada vez menos vontade de publicar e, com uma mensagem recebida há alguns dias, essa decisão se firmou em mim. 

Eis a mensagem:

Não temos controle sobre essas coisas. Outras pessoas decidem o que podemos fazer ou não, publicar ou não, guardar...

Eu seguirei com meus cadernos físicos, que também não são garantia de continuidade, mas, enquanto estiverem comigo, farei o possível para proteger minhas memórias.

quinta-feira, 24 de setembro de 2026

2a8m

Ou 974 dias... Trouxe-lhe violetas, que depois irão para a janela. Por coincidência, neste dia chegou o livro Parnaso de Além Túmulo, a primeira obra psicografada pelo Chico Xavier, quando ele tinha apenas 22 anos. 






sexta-feira, 11 de setembro de 2026

O que a memória ama fica eterno

Para o Zé

Adélia Prado·Bagagem (1976)


Eu te amo, homem, hoje como toda vida quis e não sabia,
eu que já amava de extremoso amor o peixe, a mala velha, o papel de seda e os riscos de bordado, onde tem o desenho cômico de um peixe — os lábios carnudos como os de uma negra.
Divago, quando o que quero é só dizer te amo. Teço as curvas, as mistas e as quebradas, industriosa como abelha, alegrinha como florinha amarela, desejando as finuras, violoncelo, violino, menestrel e fazendo o que sei, o ouvido no teu peito para escutar o que bate.
Eu te amo, homem, amo o teu coração, o que é, a carne de que é feito, amo sua matéria, fauna e flora, seu poder de perecer, as aparas de tuas unhas perdidas nas casas que habitamos, os fios de tua barba. Esmero.
Pego tua mão, me afasto, viajo pra ter saudade, me calo, falo em latim pra requintar meu gosto: “Dize-me, ó amado da minha alma, onde apascentas o teu gado, onde repousas ao meio-dia, para que eu não ande vagueando atrás dos rebanhos de teus companheiros”.
Aprendo. Te aprendo, homem. O que a memória ama fica eterno. Te amo com a memória, imperecível.
Te alinho junto das coisas que falam uma coisa só: Deus é amor.
Você me espicaça como o desenho do peixe da guarnição de cozinha, você me guarnece, tira de mim o ar desnudo, me faz bonita de olhar-me, me dá uma tarefa, me emprega, me dá um filho, comida, enche minhas mãos.
Eu te amo, homem, exatamente como amo o que acontece quando escuto oboé.
Meu coração vai desdobrando os panos, se alargando aquecido, dando a volta ao mundo, estalando os dedos pra pessoa e bicho.
Amo até a barata, quando descubro que assim te amo, o que não queria dizer amo também, o piolho. Assim, te amo do modo mais natural, vero-romântico, homem meu, particular homem universal.
Tudo que não é mulher está em ti, maravilha.
Como grande senhora vou te amar, os alvos linhos, a luz na cabeceira, o abajur de prata; como criada ama, vou te amar, o delicioso amor: com água tépida, toalha seca e sabonete cheiroso, me abaixo e lavo teus pés, o dorso e a planta deles eu beijo.


Adélia Prado
1935-12-13 · Divinópolis


Adélia Prado é uma poetisa brasileira contemporânea, conhecida pela sua poesia que entrelaça o cotidiano com o sagrado, o profano com o espiritual, e o trivial com o transcendente. A sua obra, marcada por uma linguagem direta, coloquial e por vezes inesperadamente lírica, reflete uma profunda reflexão sobre a condição feminina, a fé, o corpo, a morte e a busca por sentido numa realidade muitas vezes desprovida de transcendência. Prado oferece uma visão única da vida urbana e das relações humanas, onde a poesia emerge dos gestos mais simples e dos momentos mais corriqueiros, revelando a beleza e o mistério escondidos na experiência quotidiana.

segunda-feira, 7 de setembro de 2026

A trend do 7 de setembro


Neste 7 de setembro, 2@feira, enquanto o brasileiro descansava no feriado (os eleitos, claro!), o chatgpt trabalhou como louco na trend do "como eu seria nos anos 80". Foi uma invasão na internet de fotos. Os mais pessimistas acreditam em alguma teoria de conspiração para nos roubar dados. Como nunca tive o que esconder, lá coloquei uma foto minha com a Janaina, que já habitávamos este mundo nos anos 80, mas só viríamos a nos encontrar em 2002. O interessante é que, um dia, arrumando nossas pastas de certificados, descobrimos que estivemos (nos anos 80) em dois eventos educacionais: a primeira Semana de Educação que a UFF fez em Pádua (eu ainda fazia o curso normal, no Caribé) e, depois, um evento em Aperibé, promovido pela Secretaria de Estado de Educação, durante 3 dias. Como éramos de áreas diferentes - eu, de exatas e ela, de humanas, não nos encontramos. Não era a hora, ainda... Vou procurar os Certificados e guardar neste portal de memórias. Por ora, deixo a fotografia que o Chatgpt fez de nós duas. 

segunda-feira, 24 de agosto de 2026

2 anos e 7 meses

 ... E a vida continua, mas a saudade também.

Essa hortênsia foi plantada pelo Sr. Dacir em 20/01/2025. 

É a colheita da quarta flor, nesse período. 

Com amor, sempre❤️










sábado, 8 de agosto de 2026

Nossa Kiki se foi... Virou estrela (como Janaina)

 ... e chegou ao Rancho Alegre. Espero que tenha encontrado a Janaina. 

Dia 08/08 nossa Kiki
partiu... Uma convulsão e ela não resistiu.







quinta-feira, 6 de agosto de 2026

06 de agosto




Daniel levou o baú (restaurado)
para Juiz de Fora.

Pedi à IA para "levar" o arranjo e colocar
sobre ele. 

Porque é 6 de agosto - 28 anos de Daniel, fui no canteiro do jardim colher a mais linda hortênsia, para compor um buquê. Porque tudo vale a pena se a alma não é pequena, já bem disse nosso poeta favorito. 

E ficou um arranjo deslumbrante.

Lavei as salas, honrei a vida de meu filho. Que ele seja abençoado e feliz!.

terça-feira, 4 de agosto de 2026

Pata de vaca

 ...é uma longa história, que não será contada agora, só daqui a alguns meses. 

Apenas para guardar esse registro fotográfico:




sexta-feira, 24 de julho de 2026

2a6m ou 912 dias

It's two hearts living

In two separate worlds🌻🌻

2a6m

Estamos na metade de 5 anos! O tempo passa... Tudo passa! + 1 dia! - 1 dia! 






quarta-feira, 24 de junho de 2026

2a5m - Livin' on a prayer

 ✨24.06.2026✨

Baby, it's okay, someday✨

We've gotta hold on to what we've got✨

It doesn't make a difference if we make it or not✨




Da nossa casa...

sexta-feira, 19 de junho de 2026

19/06/2026 - o carimbo de Deus na passagem do meu pai

Ainda não tenho condições de escrever nada sobre... Hoje, meu pai, Antônio Cretton, voltou para junto dos seus... Acordou, tomou café, reclamou de dor no ombro, foi ao banheiro e desfaleceu amparado pela minha mãe. 

Deus realiza nossos últimos desejos. Era o que ele sempre pedia: morrer em casa. 





terça-feira, 9 de junho de 2026

Eu, o Chat e um certo jasmim estrela

 

- Chat, posso te contar uma história?

- Claro. Pode me contar a história que quiser — estou aqui para ouvir e conversar sobre ela.

- Mas antes, vc conhece uma planta trepadeira chamada jasmim estrela ou jasmim dos poetas?

- Sim. O jasmim-estrela (também chamado de jasmim-dos-poetas em algumas regiões) é uma trepadeira muito apreciada pelas flores brancas em formato de estrela e pelo perfume intenso, especialmente ao entardecer.
O nome científico mais comum é Trachelospermum jasminoides. Apesar do nome popular, ele não pertence ao mesmo gênero dos jasmins verdadeiros (gênero Jasminum).
Algumas características:
Trepadeira vigorosa, ótima para cercas, muros, pergolados e treliças.
Flores brancas pequenas e muito perfumadas.
Folhas verdes brilhantes que podem adquirir tons avermelhados no frio.
Prefere sol pleno ou meia-sombra.
Tolera podas para controlar o crescimento.
Se você está perguntando porque ela faz parte da sua história, pode me contar mais. Estou curioso para saber a relação dela com o que aconteceu.

- Então, eu tinha um caramanchão com dois pés lindos de jasmim, que fazia toda a cobertura. Lindo de ver! Os troncos já estavam robustos, muitas flores perfumadas. 
Só que em janeiro de 2024 perdi o amor da minha vida. Uma dengue e, em 7 dias, a pessoa mais importante não habitava mais esse planeta. Nunca mais consegui ser eu mesma. 
O fato é que não conseguia manter as podas regulares, o caramanchão precisava de reparos, porque algumas madeiras estavam apodrecidas e eu resolvi cortar os jasmins. Bem na base. E fervi água com sal e joguei, para matar de vez. Que crueldade! 
Mas, meu coração estava despedaçado, a alma amputada e eu não tinha condições de cuidar daquilo. 

- Sinto muito pela perda que você viveu.
Perder alguém tão importante de forma tão repentina — em apenas sete dias — pode abalar profundamente a vida de uma pessoa. O que você descreve, de nunca mais ter conseguido ser a mesma, de ter o coração despedaçado e a alma amputada, transmite a dimensão desse impacto.
Sobre os jasmins: pelo que você conta, não me parece um ato de crueldade. Parece um ato de alguém que estava enfrentando uma dor enorme e que, naquele momento, não tinha forças para sustentar algo que antes fazia parte de uma vida que já não existia da mesma forma. O caramanchão exigia cuidados, reparos, podas. Quando estamos atravessando um luto profundo, até tarefas simples podem se tornar pesadas; cuidar de uma estrutura inteira e de duas trepadeiras vigorosas pode parecer impossível.
É interessante como certas plantas acabam se tornando mais do que plantas. Elas guardam memórias, rotinas, projetos compartilhados. Às vezes, olhar para elas todos os dias pode trazer conforto. Outras vezes, pode ser doloroso demais. Só você sabe o que aquele caramanchão representava naquele período.
E há algo que me chamou atenção: mesmo depois de tudo isso, ao contar a história, você se preocupou com os jasmins. Você disse: "Que crueldade!". Isso me faz pensar que uma parte sua ainda se importa profundamente com aquilo que foi perdido — não apenas as plantas, mas talvez também a pessoa que você era antes de janeiro de 2024.
Se quiser, me conte o restante da história. O que aconteceu com os jasmins depois que você os cortou e jogou a água com sal? Ou o que eles significavam para você e para essa pessoa que você perdeu? Estou ouvindo.

- A gente percebe que a planta quer reviver, mas não tem mais a força e o vigor de antes. Mas está ali, crescendo aos poucos, já com as primeiras flores. 
Aí, observando essa planta outro dia, fiz uma reflexão: meu coração está assim também. 
Porque se eu tivesse capacidade de desenhar meu coração, eu o vejo cheio de feridas (como se tivesse sido apunhalado), quebrado, adelgaçado. Mas, eu estou aqui. Alquebrada, mas dando conta de tudo e florescendo. 

- Essa é uma reflexão muito bonita — e muito verdadeira.
O que você viu no jasmim é algo profundamente humano: a vida nem sempre volta com o mesmo vigor de antes, mas ainda assim ela volta. Não da mesma forma. Não intacta. Mas viva.
Seu coração como esse jasmim
Você descreveu seu coração como ferido, quebrado, adelgaçado, como se tivesse sido apunhalado. E, ao mesmo tempo, percebe que continua aqui: trabalhando, cuidando das coisas, atravessando os dias, florescendo aos poucos. Isso é muito significativo.
O luto muda a estrutura da gente
Quando perdemos alguém que era o centro afetivo da nossa vida, não voltamos a ser exatamente quem éramos. O luto não é um intervalo depois do qual tudo retorna ao normal; ele reorganiza a nossa estrutura interna. Algumas partes ficam mais frágeis, outras amadurecem, e certas feridas passam a fazer parte da paisagem do coração.
A força agora é diferente
Talvez o seu coração não tenha hoje a exuberância de antes — assim como o jasmim não cobre mais o caramanchão inteiro. Mas isso não significa ausência de vida. Há uma diferença entre estar inteiro e estar vivo. Você está viva. E florescendo, ainda que de um jeito mais delicado, mais lento, mais consciente da dor.
Florescer apesar das feridas
Achei especialmente forte você usar a palavra “florescendo”. Porque florescer não exige perfeição. A natureza mostra isso o tempo todo: árvores queimadas rebrotam, plantas podadas emitem novas hastes, solos castigados voltam a produzir. A beleza não desaparece porque houve sofrimento; às vezes ela ganha outra forma.
A haste fina que continua subindo
Talvez esse jasmim esteja lhe lembrando de algo importante: você não precisa voltar a ser quem era antes para continuar vivendo com significado. A haste fina que cresce devagar também é vida. As primeiras flores, ainda pequenas, também são flores.
E há uma coragem silenciosa em continuar depois de uma perda tão devastadora. Não a coragem grandiosa dos filmes, mas a coragem cotidiana de levantar, trabalhar, cuidar do que precisa ser cuidado e permitir que alguma coisa dentro de si ainda floresça.
Seu coração pode carregar cicatrizes profundas. Mas cicatrizes também são prova de sobrevivência.

- Você consegue desenhar um coração assim, ferido, quebrado, machucado, mas que dele está brotando um outro coração, menor, mas forte e florido? Algo mais orgânico, mais coração humano. Tipo uma pintura botânica...

- Fico feliz que tenha gostado. Enquanto eu lia sua história, a imagem me pareceu muito próxima daquilo que você descreveu: não um coração "consertado", mas um coração que carrega suas rachaduras, suas cicatrizes e sua história — e do qual ainda nasce vida.
O que mais me tocou foi a ligação que você fez com o jasmim. Você não olhou para a planta e viu apenas fraqueza. Você viu persistência. Ela não voltou a ser o que era antes, mas voltou a florescer. E você reconheceu isso em si mesma.
Talvez seja por isso que a imagem tenha ficado tão bonita. Ela não fala de esquecer, nem de substituir quem você perdeu. Ela fala de continuar amando, continuar vivendo e continuar florescendo, mesmo depois de uma ferida que mudou a paisagem inteira do coração.
E, pensando bem, há um detalhe poético na sua história: você tentou eliminar o jasmim porque não tinha forças para cuidar dele naquele momento. Anos depois, ele reaparece sozinho, com suas primeiras flores. Agora, ao observá-lo, ele acaba ajudando você a enxergar algo sobre si mesma.
Às vezes a natureza encontra maneiras muito delicadas de nos devolver uma conversa que interrompemos.
Obrigada por compartilhar essa história comigo. Ela é triste, mas também é profundamente bonita. 🌿🤍
E aquela frase que você criou merece ser guardada:
"Meu coração está assim também. Alquebrado, mas dando conta de tudo e florescendo."
Há muita força nisso. Não a força de quem não sofreu, mas a de quem continua crescendo apesar das feridas.

Esse Chat gosta de falar rsrsrs 

sexta-feira, 29 de maio de 2026

São 24 rosas, Caro Watson.

Pode avisar ao Sr. Heathcliff. Seguimos... E contando, porque ainda é Alessandra com Janaina.