quarta-feira, 18 de março de 2015

Crédito da imagem: desconhecido.
Nenhuma praia.
Nenhuma montanha.
Nenhum quintal.
Nenhum jardim.

Nada, além de mais um dia que se cumpre.

Nenhuma partida.
Nenhuma chegada.
Nenhum cataclisma
para mudar a ordem das coisas,
fazer a roda girar,
tirar o lodo,
o mofo de nossas almas milenárias.

Mas não se deve dar guarida à amargura.
É preciso olhar a água que já se tem...

Ser grato!

Eu mesma, às vezes,
não me suporto Pollyanna.

sexta-feira, 13 de março de 2015

Camadas

Às vezes penso que para nos desvencilharmos do "homem velho" que há dentro de nós, vamos eliminando camadas, como uma cebola. Ou como um caranguejo, que ano a ano troca a casca porque a "roupa" fica apertada demais.
Nossas camadas estão na alma. Ao eliminar uma velha, a que surge está bem sensível, fininha e, somente aos poucos, bem aos poucos, vai encorpando. E é nesse momento em que ainda estamos com a camada fina, que sofremos e choramos nossas dores de homem novo querendo suplantar o homem velho.
Hoje estou com minha camada tão sensível que não posso ficar com argumentações, muito menos com rebeldias. Estou proibida de pensar demais, questionar demais, forçar qualquer reflexão. Preciso descansar a alma. Não fazer planos, nenhuma análise, nenhuma lista
Estou de luto. Perdi uma grossa camada que eu sei, não me servia mais... e não me fará falta. Mas eu estava "protegida" com ela. É um paradoxo. 
Sinto a alma arder, porque exposta. Mas sei que superei um pouquinho mais a mim mesma. Cada lágrima de dor doída da alma nos engrandece, enrijece nossas camadas e nos prepara para uma mudança.
Novamente as palavras estão me faltando. Há, dentro de mim, a concepção da ideia, mas meu vocabulário é empobrecido demais para expressá-la. Num outro momento...
Por ora, vou cuidar do meu luto. Vou descansar.

segunda-feira, 9 de março de 2015

Vou seguindo, ouvindo estrelas, nessa divina comédia humana...

Divina Comédia Humana

Belchior

Estava mais angustiado que um goleiro na hora do gol
Quando você entrou em mim como um Sol no quintal
Aí um analista amigo meu disse que desse jeito
Não vou ser feliz direito
Porque o amor é uma coisa mais profunda que um encontro casual
Aí um analista amigo meu disse que desse jeito
Não vou viver satisfeito
Porque o amor é uma coisa mais profunda que um transa sensual
Deixando a profundidade de lado
Eu quero é ficar colado à pele dela noite e dia
Fazendo tudo de novo e dizendo sim à paixão morando na filosofia
Eu quero gozar no seu céu, pode ser no seu inferno
Viver a divina comédia humana onde nada é eterno
Ora direis, ouvir estrelas, certo perdeste o senso
Eu vos direi no entanto:
Enquanto houver espaço, corpo e tempo e algum modo de dizer não
Eu canto.

http://www.kboing.com.br/belchior/1-1007614/

Ora (direis) ouvir estrelas!

Olavo Bilac

XIII
"Ora (direis) ouvir estrelas! Certo
Perdeste o senso!" E eu vos direi, no entanto,
Que, para ouvi-Ias, muita vez desperto
E abro as janelas, pálido de espanto ...
E conversamos toda a noite, enquanto
A via láctea, como um pálio aberto,
Cintila. E, ao vir do sol, saudoso e em pranto,
Inda as procuro pelo céu deserto.
Direis agora: "Tresloucado amigo!
Que conversas com elas? Que sentido
Tem o que dizem, quando estão contigo?"
E eu vos direi: "Amai para entendê-las!
Pois só quem ama pode ter ouvido
Capaz de ouvir e de entender estrelas."

Fonte: www.jornaldepoesia.jor.br

segunda-feira, 2 de março de 2015

Que venha Março!

Melancolia = excesso de passado
Ansiedade = excesso de futuro

Então, aproveite o dia! A cada dia...


"Não vos preocupeis com o dia de amanhã,
 pois o dia de amanhã preocupar-se-á consigo mesmo. 
 A cada dia basta o seu mal." 
(Evangelho de Mateus 6,34)