quarta-feira, 25 de março de 2015
terça-feira, 24 de março de 2015
segunda-feira, 23 de março de 2015
domingo, 22 de março de 2015
De Camões - Soneto
Amor é fogo que arde sem se ver;
É ferida que dói e não se sente;
É um contentamento descontente;
É dor que desatina sem doer;
É um não querer mais que bem querer;
É solitário andar por entre a gente;
É nunca contentar-se de contente;
É cuidar que se ganha em se perder;
É querer estar preso por vontade;
É servir a quem vence, o vencedor;
É ter com quem nos mata lealdade.
Mas como causar pode seu favor
Nos corações humanos amizade,
Se tão contrário a si é o mesmo Amor?
Luís de Camões
sábado, 21 de março de 2015
Prelúdio
Antes de morrer quero merecer voltar no tempo. E só percorrer as doces lembranças. Quero deitar para dormir e perceber que estou a vagar pelas dobras do tempo, como num sonho; porém um sonho real que me leva de volta à estrada de chão dos domingos à tarde, quando voltava da casa de minha avó. Minha solidão infantil era povoada de sonhos vindouros e olhos atentos às florezinhas da estrada.
Quero o cheiro da chuva. O mesmo ar... E a indecifrável segurança do regaço materno, que não importa o lugar - bom ou ruim, rico ou pobre, com mesa farta ou ausência do pão - nos proporciona o sono leve, tranquilo, seguro. Só porque ela está ali...
Quero os sabores. O caminhar pelas ruas da mocidade. E a ingenuidade da mocidade.
quinta-feira, 19 de março de 2015
Paradoxo
Aos poucos a alma vai deixando de se rebelar e volta ao normal. O problema está que sou cartesiana demais para transgredir loucuras.
Quero sempre a paz do travesseiro e temo ser arrojada em investimentos.
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