quarta-feira, 15 de março de 2017

Laços e Laranjas - uma imagem

Receber essa imagem ontem, da minha irmã, foi a consagração do meu post Laços e Laranjas. Aqui estão meus dois avôs: Cininho e Vilção, exatamente como descrevi no texto. Essa menina de vestidinho azul sou eu com seis ou sete anos... É essa menina aí da foto que aprendeu a fazer laços com o vô Cininho e descascar laranjas com o vô Vilção. A imagem materializa o texto.
Minha irmã Maria Gorethi veste pantalonas vermelha e Jomarzinho (meu primo) já mostra pose de militar. Atrás da câmera meu querido tio Jomar, a registrar a poesia de viver...
À direita, a enorme casa dos meus avós maternos (Maria José e Cininho), onde vivi os domingos da minha infância. Emoção demais! A foto estava nas coisas da vovó e foram parar (dadas as circunstâncias) na casa de minha irmã. Essas surpresas boas que a vida nos reserva...
Agora, o texto tem imagem e trilha sonora: A Fazenda, de Milton Nascimento.
Água de beber
Bica no quintal
Sede de viver tudo
E o esquecer
Era tão normal que o tempo parava
E a meninada respirava o vento
Até vir a noite e os velhos falavam coisas dessa vida
Eu era criança, hoje é você, e no amanhã, nós
Água de beber
Bica no quintal, sede de viver tudo
E o esquecer
Era tão normal que o tempo parava
Tinha sabiá, tinha laranjeira, tinha manga rosa
Tinha o sol da manhã
E na despedida,
tios na varanda, jipe na estrada
E o coração lá

Laços e Laranjas (Julho/2015)
Os corredores são sombrios, mas persisto na certeza de que vai valer a pena. Diante de mim uma porta. Posso bater e abrir. Posso desistir e recuar. Decido pela primeira opção. E abro bem devagarinho, para que não haja barulho e nem surpresa pela minha chegada. Se possível, quero ultrapassar sem ser notada. Mas como prever o que nos aguarda depois do limiar?
Abro a porta. Agora é claridade! Uma luz diáfana desenha um novo quadro diante de mim. Do lado esquerdo - talvez por ser o lado do coração – aquele homem franzino que sempre carrega consigo um chapéu, bigodes, cigarro e lindos olhos verdes transparentes. Doces olhos verdes.
Acomodado num sofá e com sorriso acolhedor, acena para que eu arraste um banquinho e me acomode à sua frente. Tira do bolso da camisa de tergal um pacotinho daquelas folhas de seda onde deposita fumo picado e, num ritual demorado, prepara um próximo cigarro. Mas, desta vez, as folhas não são para seu próprio deleite.
Em milésimos de segundo, enquanto acompanho seus movimentos, observo seus bigodes amarelados como também são amareladas as pontas dos dedos. Olho seus pés, aqueles dedinhos redondinhos sempre nos chinelos. Pés pequenos e impressionantes dedos redondinhos.
De volta à realidade deparo-me com o desafio de aprender a dobradura de um laço do amor. Algo trabalhoso para uma criança de sete ou oito anos... No entanto, é um desafio. A paciência, o amor, a perseverança desse homem, em cada folha “desperdiçada” imprime em meu cérebro todas as dobras, todos os ângulos, e o nó final perpetua-se em meu coração.
Sorrimos cúmplices com o resultado!
Um barulho do lado direito me faz girar. Uma cadeira de assento de palha é arrastada e um grande homem acomoda entre as pernas um balde cheio de laranjas. Suas pernas são magras e compridas como também são compridos seus cabelos brancos. Seus olhos são castanho-esverdeados, como os meus.
Traz consigo um pequeno canivete suíço e também me convida a sentar ao seu lado para descascar laranjas.  Entrega-me uma pequena faca de cabo de madeira. Algo perigoso para uma criança de seis ou sete anos...  Posso sentir o cheiro do creme Trim de modelar os cabelos, que ele usa todas as manhãs.
Pacientemente começa a demonstrar o ofício, alertando para não machucar a fruta. A cada tentativa degustamos o sabor do nosso trabalho - e rimos - e temos a escorrer pelos cantos da boca o doce sabor do momento.
Dado por satisfeito no primeiro tentame propõe novo desafio: descascar sem nenhuma “ferida”, para que num único furo superior todo o suco seja sorvido. Ensina-me a segurar a faca e fazer o furinho, repetidas vezes. Nem o sumo impregnado em minhas mãozinhas representa incômodo.
Bebemos cúmplices nosso resultado!
Volto novamente meu olhar para a esquerda e meu avô continua lá sorrindo para mim. Um homem de nome imponente – Porcino de Souza Barros  – mas que para nós – e todos os outros também - sempre foi o vovô Cininho ou “Seu” Cininho. Sua figura franzina, dada a pouco trabalho físico, e sua sensibilidade no trato com as pessoas nunca fizeram dele o Sr. Porcino.
Tomo-o pela mão e me aproximo do meu outro avô, também de nome imponente – Wilson Cretton – que foi batizado Vilson por sua mãe, e por um erro de registro virou Wilson, mas sempre foi – para nós e para os outros – o vovô Vilção ou “Seu” Vilção.
Duas figuras tão distintas! Dois amores tão semelhantes! Como não ser feliz na vida quando se tem no mesmo caminho um Cininho e um Vilção?

quarta-feira, 8 de março de 2017

Bem-vindo, Março!

... E parabéns para nós, pelo Dia Internacional da Mulher!

By Junia Machado

É rainha das águas e ainda traz felicidade...

quinta-feira, 2 de março de 2017

Asas para voar... Raízes para voltar...

Marina e Daniel juntos em Viçosa. Ambos na UFV - Universidade Federal de Viçosa. Uma alegria!
Ela, Jornalismo. Ele, Contábeis.
Marina sai do Edifício Petrina, na Rua dos Estudantes e vai para o Edifício Central, apto 211, com o irmão.


 

terça-feira, 28 de fevereiro de 2017

Motivos para agradecer e ser feliz - a lista de Fevereiro

Não gosto muito de Fevereiro. E tenho razões para não gostar dele. Onde moro é um calor insuportável; só isso já bastaria para justificar meu desagrado pelo segundo mês do ano. No entanto, também tem o Carnaval e essa sensação que a vida só vai começar a fluir depois do Carnaval... 
Este ano, especialmente, está difícil extrair alegrias de Fevereiro. A questão do pagamento dos aposentados, pensionistas e algumas categorias do Estado do Rio de Janeiro continua instável. O pagamento de Janeiro será parcelado em 6 vezes sendo 5 parcelas somente para o mês de Março. Haja resiliência!
Ao longo dos anos fui treinando o olhar para perceber as pequeninas bênçãos de cada dia... Um botão que se faz flor, uma paisagem, um gesto de carinho, as delicadezas e amorosidades do caminho. E por elas agradeço, mais uma vez, nesta lista.
  • Acabamento em todas as grades (paredes pintadas, tudo limpo e lindo).
  • Início das aulas no EPA: 22 aulas! Aqueles alunos são a minha alegria de todas as manhãs...
  • Branquinha (nossa cadelinha de rua) medicada e feliz de novo!
  • Cirurgia de catarata da mamãe bem sucedida (fez o olho esquerdo em Janeiro, agora fez o direito). 
  • Marina e Renan foram para a COMEERJ em Bom Jesus do Itabapoana. Uma bênção.
  • Daniel em Piraúba, na casa de amigos da Epcar.
  • Sr. Moacyr veio capinar as árvores. Eram 13. Perdemos duas (preciso escrever sobre isso).
  • As flores do jardim da nossa casa que nos surpreendem todos os dias...
  • Almoço no Cascudão com Janaina. Passeio em Raposo.
Nossa Flor-de-cera finalmente abriu. 

quarta-feira, 1 de fevereiro de 2017