quinta-feira, 26 de abril de 2018

Soie*

Parte I

Houve um tempo em que eu caminhava diariamente pela estrada de chão, carregando na mochila o peso dos livros e dos sonhos...
Mas que contradição!
Foi o tempo em que fui mais leve e feliz.

Houve um tempo em que faltava muita coisa: da luz à mesa farta; da cultura à convivência harmoniosa de um lar...
Mas veja um contrassenso!
Foi o tempo em que menos precisei de ter e mais investi em ser.

Houve um tempo em que eu acreditei no ciclo de plantar e colher (boas sementes, boa colheita)...
Mas "há algo que jamais se esclareceu (compôs em "Inverno" Calcanhoto), onde foi exatamente que larguei" a segurança da ingenuidade e maculei minha leveza, seduzida pelas promessas de um porvir com cortinas de renda e violetas na janela.

Parte II

Qual o exato momento em que me rendi ao sistema?

Durante muitos anos não consegui precisar (às vezes demora um pouco - ou muito - para que façamos as pazes com nossos equívocos).

Mas houve um dia em que descobri o real instante, ma-te-ma-ti-ca-men-te. Foi um cheiro (de nome Soie) que desencadeou o rito de passagem. Por querer encapsular o perfume aos meus dias, arrisquei, acreditei que também podia fazer parte. E tratei de fazer a vida. Nesse dia entrei (em parte) no sistema da "roda da vida". 

(Eu já tinha minha autonomia financeira, mas ainda estava presa aos valores da infância - e lá eu deveria ter permanecido; consumismo para quê?)

Fiz muita coisa como manda o sistema; mas o contrariei bastante também (às vezes a gente precisa ser fiel a si mesmo).

Parte III

Hoje, ao abrir uma caixa, girar uma tampa e colocar uma única gota de óleo no pulso, o cheiro voltou...
E a vida inteirinha voltou nesse cheiro.

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*Soie quer dizer Seda.

segunda-feira, 23 de abril de 2018

"Abelha fazendo mel vale o tempo que não voou..."

Hoje, feriado de São Jorge! 
Hoje, aniversário da minha querida Lydia Maria. Logo pela manhã fiz orações por ela...
Hoje, oportunidade para comprar as cadeiras que vão substituir as que irão para a sala de TV... Chega de xixi do Beetho em pé de sofá. Agora, só cadeiras com pé de madeira.
Hoje, ida ao mercado para comprar aquelas coisinhas que sempre faltam... ("Meu Deus, você foi ao mercado no sábado!") A ração dos gatos, as verduras, ovos e bananas...
Hoje, dia de fazer luzes no cabeeeelo! Af! Só isso bastaria por todo o hoje... Demora demais ficar em salão. Sem contar que escutamos aquilo que não queremos... E sempre a sensação de perda de tempo, de futilidade (mas confesso que ainda gosto do meu cabelo loiro). 
Hoje, sem viagem...
Hoje, saudade dos filhos que estão longe...
Hoje, cozinhar.
Hoje, pensar pela enésima vez na situação financeira e odiar o imposto de renda.
Hoje, ver a chuva caindo e o cachorro ficando sem o passeio.
Hoje, organizar prova de recuperação para o 6° ano.
Hoje, continuar sendo abelha...
O voo? Ah, esse só amanhã... Ou depois de amanhã...

sábado, 21 de abril de 2018

O poder de construção do tempo

Em julho de 2017, mais precisamente dia 26, eu e Marina fomos comprar um tecido para uma bomber (essas jaquetas sanfonadas). Encontrei um seda linda e, na garimpagem, um crepe estampado de azul, bem meu estilo. Comprei os dois. E o forro rosé para a jaqueta. Dia 20 de outubro mamãe entregou-me a blusa para que eu pudesse usar no meu aniversário. E, de fato, usei na tradicional ida ao Planalto. Quanto a bomber... Ficou pronta na semana passada. Como tudo tem seu lado bom, terei roupa nova para a Exposição de Miracema. Obrigada, mamãe! Você é a melhor costureira do mundo. Acho incrível a capacidade de transformar um tecido retangular em uma modelagem tão perfeita! 

quinta-feira, 19 de abril de 2018

Eu não sei de muita coisa... mas sei que Deus sorri para mim...



Aproveito cada minuto do meu dia... Não consigo simplesmente ficar parada, à toa, sem fazer nada. Não é uma questão de achar que o ócio seja um pecado ou algo parecido. Acredito no ócio criativo, necessito das pausas que nunca tenho. Mas faz parte da minha natureza a atividade, a "inventação" de moda, no dizer de minha mãe. Toda vez que quero ficar na cama até mais tarde não posso... Toda vez que posso, não quero... 
Às quintas-feiras entro um pouco mais tarde no trabalho: 8h30min. Mas levanto às 6h10min como em todos os outros dias - quase todos, porque às segundas o despertador toca às 5h30min. Hoje, após cumpridas as rotinas costumeiras - fazer o café, colocar a lixeira na calçada, alimentar os animais e levar o cãozinho para o passeio matinal -, resolvi lavar o nosso jardim-garagem (sim, porque antes de ser um espaço que guarda um carro, é nosso espaço de plantas; por isso o teto é um caramanchão e não telhas coloniais a escurecer o ambiente). Essa atividade me proporciona grande prazer: regar as plantas, limpar o chão, ver as gotas de água nas folhas, tudo limpinho... Enquanto isso, a máquina bate os tapetes e o amigo Jorge reproduz na vitrola suas músicas espíritas... De repente, uma rosa amarela é a surpresa boa do jardim... Há dias não prestava atenção aos detalhes... nem percebi o botão... De alma renovada, sinto o corpo aquecer e agradeço a bênção de mais um dia. Quero registrar essa alegria! Fotografo, envio no grupo da família... Não posso postar no Instagram; ontem, resolvi dar um tempo das redes sociais. Quero ler e não tenho tempo... Amo escrever e não tenho tempo... Comecei o projeto do meu livro "Cartas para Alessandra" e preciso do tempo e da inspiração... Também preciso de foco para coisas práticas. Minha vida financeira requer cuidados especiais depois da grave crise de 2017. "Não é momento para distrações, Alessandra" - recomenda minha voz interior. Dobras do Tempo é meu refúgio e o tenho negligenciado... A partir de agora, colocarei minhas fotos aqui... 
No exato momento em que faço as imagens, meu amigo Jorge canta que "vê Deus sorrindo-lhe quando vê a natureza." Eu vi Deus sorrindo para mim nesta manhã...

quarta-feira, 11 de abril de 2018

Doce Companhia

Hoje só quero silêncio
Não quero nada mudar
Quero ficar bem tranquila
E saborear esta paz

Tenho um momento de calma
Eu sinto o peso ceder
O emaranhado da vida
Já desfiz, sei por que

Nada que venha de fora
Vai me fazer mais feliz
Como sentir os teus olhos
Tranquilos sobre mim

Sua doce companhia
Não me canso de querer
Me sinto ressuscitada
Perto de você

Sua doce companhia
Não me canso de querer
Me sinto ressuscitada
Perto de você

Fico de longe esperando
A hora em que vou te ver
Em tuas mãos eu me entrego
Me rendi a você

Eu já não tenho resposta
Nem esperava encontrar
Meu coração tão cansado
Não queria sequer tentar

Nada que venha de fora
Vai me fazer mais feliz
Como sentir os teus olhos
Tranquilos sobre mim
Me sinto florescer

Sua doce companhia
Não me canso de querer
Me sinto ressuscitada
Perto de você

Sua doce companhia
Não me canso de querer
Me sinto ressuscitada
Perto de você.

A vida como tem que ser...






Hoje foi um dia de dúbias emoções. 
Amanheci ainda impactada pela destruição que a Prefeitura fez na minha calçada ontem, quando passou o trator para nivelar o que chamamos de rua - que não tem nenhum tipo de pavimentação. Depois de um exaustivo dia de trabalho, cheguei em casa às 21 horas e, antes de entrar, vejo meu vizinho com uma enxada tentando ajeitar os pedaços de sua calçada para colocar o carro na garagem. Aí vou abrir o meu portão e me dou conta do estrago feito. Toda a rampa de acesso (construída por profissional qualificado, usando material de primeira) foi arrancada. A esquina da calçada avariada, o cano d`água da rua estourado (eles mesmos devem ter dado um jeito de acionar a CEDAE), lama para todo lado... A gente luta tanto para que a vida seja como tem que ser...
Então, saio para mais um dia inteiro de trabalho e quando retorno no fim da tarde, a tragédia foi pior... Atacaram as árvores da calçada. DECEPARAM. Porque não se pode chamar aquilo de poda. Que tristeza! Que desolação! Quero chorar, mas como estou com raiva, não consigo... Olho para as patas de vaca, carregadinhas de botões - e algumas flores se abrindo - e vejo a ação da maldade humana. Dói-me a alma. Ainda na calçada, faço fotos, fico indignada.
Subo as escadas... Sobre a cama uma escritura que ficou pronta hoje. A vida como tem que ser... Um  sopro de alegria, leveza. A sensação boa do dever cumprido. Da bênção. 
Faço meu protesto, continuo triste... Mas me lembro que durante o dia tive a alegria de ouvir Lucy Alves em versos tão alegres e lindos... Sentimentos dúbios...


terça-feira, 10 de abril de 2018

Beetho faz 9!

10/04/2018
Nosso "kiolo" continua feliz... Ficando velhinho, apresentando novas manias... Trazendo-nos uma energia boa. Compreende tanta coisa! Parabéns, Beetho!