domingo, 19 de junho de 2022

Trabalho da Faculdade de Psicologia (Técnicas Grupais)

Por: Alessandra Barros Cretton
Leia, reflita e elabore uma RESENHA sobre o artigo: “PSICOLOGIA SOCIAL E PROCESSO GRUPAL: A COERÊNCIA ENTRE FAZER, PENSAR E SENTIR EM SÍLVIA LANE”

O objeto de estudo ora apresentado trata-se de um artigo de Sueli Terezinha Ferreira Martins, doutora em Psicologia Social pela Pontifícia Universidade Católica (PUC) de São Paulo, aceito em 2007, que discorre sobre as contribuições de Sílvia Lane para a formulação de concepção e propostas de análise do processo grupal. Em suas referências, elenca quatorze obras da pesquisadora, sistematizadas em artigos, coletâneas e livros, que delinearam uma teoria dialética do processo grupal, agregada no decorrer do tempo e de suas experiências de pesquisa - na disciplina “Processos Grupais” que ela ministrava na PUC; no diálogo com vários colegas da Psicologia Social brasileira e latino-americana, somado às contribuições de outros estudiosos como Martín-Baró, também citado nas referências. 
A autora destaca que o artigo Uma redefinição da Psicologia Social na revista Educação &Sociedade (1980) e o livro O que é Psicologia Social (1981) representam um marco na história da Psicologia Social brasileira e latino-americana, apresentando-nos Lane como pioneira da Psicologia Social crítica no Brasil. Os dois trabalhos mencionados já explicitam seu posicionamento ético-político, confirmado, mais adiante no livro Psicologia Social: O homem em movimento (1984), quando Lane reafirma que “caberia à Psicologia Social recuperar o indivíduo na intersecção de sua história com a história de sua sociedade – apenas este conhecimento nos permitiria compreender o homem enquanto produtor da história” (p.13). É nesta mesma obra que a autora extrai um capítulo intitulado "O processo grupal", enfatizando que o artigo discorre fundamentalmente sobre esse texto. Ao realizar uma revisão de diferentes teorias sobre grupo, Lane encontrou duas posições diferentes: a primeira defendia que a função do grupo seria apenas a de definir papéis e, por consequência, implicaria garantir a produtividade dos indivíduos e grupos através da manutenção e harmonia das relações sociais; a segunda enfatizava o caráter de mediação do grupo, prevalecendo a preocupação com o processo pelo qual o grupo se produz, considerando as determinações sociais presentes nas relações grupais. Ao falar sobre processo grupal (e não grupo ou dinâmica de grupo), Lane se posiciona, trazendo para o centro da discussão o caráter histórico e dialético do grupo, que se constrói num determinado espaço e tempo, fruto das relações que vão ocorrendo no cotidiano. É preciso afirmar que um grupo não se baseia apenas em reunir pessoas que compartilham normas e objetivos comuns; antes, é preciso compreender o sentido de relações e vínculo entre pessoas com necessidades individuais e/ou interesses coletivos. Nesta ótica, o grupo é uma estrutura social, uma realidade total, um conjunto que não pode ser reduzido à soma de seus membros. O processo grupal, assim como qualquer vivência humana, implica relações de poder e práticas compartilhadas e, ao se realizar, desenvolve sua identidade. Lane destacou duas dimensões, neste sentido: a externa, relacionada com a sociedade e/ou outros grupos; e a interna, vinculada aos membros do próprio grupo, em direção à realização dos objetivos que levem em consideração as aspirações individuais ou comuns. Além de destacar essas dimensões, com a concepção histórica e dialética de grupo, Lane traz algumas sugestões para análise do indivíduo inserido no processo grupal: a primeira é o fato de considerar que “o homem com quem estamos lidando é fundamentalmente o homem alienado” (p.84); a segunda é que devemos considerar que todo grupo ou agrupamento existe sempre dentro de instituições (família, fábrica, universidade, Estado) e ainda podemos destacar uma terceira, que ressalta que a história de vida de cada membro do grupo tem importância fundamental no desenrolar do processo grupal. Alguns questionamentos foram colocados por Lane aos psicólogos sociais, indicando o caminho da construção de uma teoria dialética de grupos – que talvez justifique “a coerência entre o fazer, pensar e sentir”, proposto por Sueli Martins, no título do artigo, objeto desta resenha. 
Convém salientar, ainda, que Lane pensou na linguagem como elo fundamental entre indivíduo e sociedade, já que “ao mesmo tempo em que ela (a linguagem) é um produto social, também é uma forte ‘determinante’ da ação” (1980a, p. 69). “ O homem fala, pensa, aprende e ensina, transforma a natureza; o homem é cultura, é história...” (1984b, p.12). 
Um olhar mais esmiuçado consegue identificar no artigo o “fazer” quando Lane propõe que as relações não devem ser de dominação de uns sobre os outros, mas que identifiquem necessidades comuns a serem satisfeitas, através de atividades planejadas em comum e que impliquem ações de vários indivíduos; o “pensar” quando ela traz para a discussão o papel determinante do processo grupal para a superação do individualismo arraigado, da superação necessária para a realização de um trabalho comunitário que busque o desenvolvimento da consciência social e da autonomia dos indivíduos; e, por fim, o “sentir” quando afirma que com o poder que temos, podemos humilhar ou valorizar o outro. Podemos impedir seu crescimento como ser humano, ou contribuir para que tal aconteça. Sabendo como exercer esse poder, saberemos respeitar o poder dos outros. No entanto, deixando de lado esse olhar cartesiano, podemos concluir que fazer/pensar/sentir se misturam em sua obra, desde a década de 1960, ganhando produção mais significativa nas décadas de 1980 e 1990; e que Sueli Martins, embora faça questão de frisar, em suas considerações finais, que não objetivou uma análise exaustiva dos textos em que o processo grupal aparece na obra de Sílvia Lane, também conseguiu ser coerente e delinear uma visão geral sobre a Psicologia Social e Processo Grupal na bibliografia da autora destacada.

quarta-feira, 15 de junho de 2022

Sobre as coisas inimagináveis

Quando eu era criança custava muito para dormir e muitas vezes me angustiava perceber que todos da casa já dormiam e eu continuava acordada. Um dia, conversando com um tio, a quem tinha muito apreço, mencionei esse fato e ele me orientou a criar uma história na minha cabeça e ficar imaginando... imaginando... até que em determinado momento eu iria dormir, sem perceber. No dia seguinte, ao me deitar, eu deveria puxar o fio da memória à última lembrança e continuar a história (creio que ele me sugeriu algo como a prática de Sherazade, embora não tenha mencionado isso). Coloquei sua sugestão em prática e deveras adentrei no universo da vida que a gente sonha antes de dormir. Tempos depois é que pude fazer algumas análises. O fato de morar em um sítio sem energia elétrica nos obrigava a dormir mais cedo (mesmo com algumas horas de leitura à luz de velas) e para uma criança cheia de energia e disposição física isso representava um desconforto "diagnosticado" por insônia. Se, àquela época, ao invés de só imaginar eu tivesse escrito minhas histórias, talvez já fosse até uma escritora (rsrsrsrs), afinal, o que não faltou foi imaginação... Mas, neste caso, entram outras análises: se eu tivesse levantado para escrever talvez meu sono fosse embora de vez... Como saber? Nesta altura da vida isso não faz mais sentido. O que ficou desse período foi a percepção que existe uma vida que a gente imagina (ou sonha) antes de dormir e que com o passar do tempo percebemos que raramente ela se realiza. A vida é muito mais o resultado das coisas inimagináveis. Não estou falando de metas, objetivos práticos, reformas. Busco registrar aqui os contextos maiores. Certa vez encontrei no Instagram um post que traduzia bem esse meu sentimento. Pensei: mais alguém no mundo "inventa moda" antes de dormir.


Todo esse "prólogo" foi para registrar outra vivência, agora de forma mais sucinta e que justifica o título de nossa postagem. Ontem meu professor Eno (de Enoghalliton de Abreu Arruda) despediu-se da turma. Foi a última aula antes da semana de provas. Fizemos uma roda para discutir Hannah Arendt e, como alma iluminada que é, ele fez suas considerações finais e anunciou seu desligamento da faculdade. Está concluindo o curso de Medicina e imagino que vai para a residência. Quando fui abraçá-lo, eu disse que quando precisasse de médico no futuro, eu iria procurá-lo (meu plano de saúde é o SUS, então melhor contar com os amigos granjeados ao longo do caminho). Foi então que ele me respondeu assim: "vou fazer psiquiatria. Seu nome já está registrado em meu caderno para trabalhar comigo. Você fará parte da minha equipe". Fiquei impactada, confesso. O impacto que sente o despretensioso. Porque essa resposta faz parte daquelas coisas inimagináveis que acontecem na vida. Então me lembrei que todas as vezes que agi sem grandes pretensões de projeção foi quando obtive os melhores resultados. Oxalá eu consiga concluir, com êxito, esse caminho iniciado sem presunção, mas com o mesmo amor e dedicação dos meus tempos de insônia infantil. Pode ser que nossos caminhos venham se cruzar novamente - ou não. O que vale ficar nas dobras do tempo é a sua resposta - que para mim, até então, fazia parte do universo das coisas inimagináveis. Sem nenhuma pretensão.

terça-feira, 7 de junho de 2022

"Assumindo a encrenca" (Azeredo, 2010)

 "Temos planos para a vida; mas nos esquecemos que a vida também tem planos para nós."

Da esquerda para a direita:
Silvana, Alessandra,
Waldyr (coordenador do Centro de Cidadania) e Angelita.



sábado, 4 de junho de 2022

De volta a Raposo

Como mencionado no post "20 rosas", naquele 29 de maio "caímos" dentro de uma festa em Raposo, o tradicional desfile de Carro de Boi. Em síntese: um "mar de gente", frustração na compra das lembranças e promessa de retorno. Como os assuntos inacabados nos deixam com uma sensação ruim (os ciclos precisam ser fechados), resolvemos que cumpriríamos a promessa de retorno neste sábado, 04 de junho. E assim o fizemos, com o mesmo percurso do domingo anterior: entrega do lixo reciclável na caixa coletora, posto de combustível e estrada. O curioso é que, mais uma vez, ao entrarmos à direita no trevo, o fluxo de trânsito nos chamou a atenção. E aí veio uma sucessão de falas, intercaladas ou não: "Outra festa?" "Não pode..." "Ó, assim que eu vir um guarda de trânsito vou perguntar... se tiver festa, voltamos do meio do caminho". "Gente, que ojeriza de festa é essa?" "Deus me livre daquele monte de gente, de novo!" "Com festa ou sem festa a gente vai lá buscar as benditas lembranças que não compramos na semana passada, nem que seja descer, cumprir esse objetivo e voltar na mesma pegada". "Hoje não estamos vendo aquelas pessoas com bota e chapéu, o perfil está diferente..." De fato, ao descermos na avenida principal foi possível constatar que havia "outra festa", porém com um público bem diferente. Era o tradicional Encontro de Carros Antigos (lembramos que em 2015 também estivemos lá...). Tudo em Raposo vira "tradição" (rsrsrs). Obviamente que esse tema deveras interessou Janaina e, depois que conseguimos estacionar, nos misturamos à multidão. Uma rápida passagem nas barracas da feira, um pit stop na praça para o pastel com caldo de cana e, enfim, a loja de lembranças. Os olhos percorreram a vitrine em busca da maçã (não foi vendida, oh, que alegria!). (São muitos os parênteses - kkkk - porque a Janaina havia achado a maçã cara; eu cheguei até declamar a legenda de @nem_bom_vento: "quero beleza em casa e a beleza costuma ser pouco prática e bastante cara, mas, olhem, cá estou trabalhando que nem uma burra para isso". Mas, no meio da semana, viu o preço do caju em madeira do @designerartesão e mudou de ideia. O que o tempo não promove!!?...). Nesse meio-tempo, eu já estava de posse da bandeja escolhida por ela na semana anterior e ela com a maçã nas mãos. Efetuados os pagamentos, deixamos a sacola na loja e partimos apreciar os carros, a feira de pulgas (tradicional também, kkkk), fazer os registros e ser feliz! Promessas cumpridas, retornamos para o almoço no Cascudão (uma espera tão longa que nos fez fixar um acordo: só retornar em 31 de dezembro, rsrsrsrs). 
... E a vida continua, com maçãs, bandejas, vivências e memórias!









quinta-feira, 2 de junho de 2022

terça-feira, 31 de maio de 2022

Motivos para agradecer e ser feliz - a lista de maio

* Dia das mães sendo Mãe e Filha.

* A caixa coletora dos recicláveis de volta na praça dos Correios.

* Mais uma releitura das toalhas de ponto cruz da mamãe. Dessa vez foi a de abacaxi, pelas mãos talentosas da Márcia Faria de Lima.

* Faculdade ok! Muita leitura, trabalhos, empenho e desempenho.

* Janaina fez 57! Teve almoço no Cascudão, bolo, toalha nova na mesa e balão (não se pode ter aniversário sem balões!).

* Palestra no Paz e Harmonia.

* 20 anos de nós.

Parece uma lista magrinha, mas teve muita vivência, leitura e oração. 

Seguimos no mundo de Cora, Anne e Pollyanna.

domingo, 29 de maio de 2022

20 Rosas

Hoje foi dia de comemorar o 29 de maio! Um dia especial, em que completamos duas décadas de uma decisão muito importante em nossas vidas: compartilhar a vida em comum. Algo que não foi e nem é fácil, mas de vivências e memórias enriquecedoras. Acordamos mais demoradamente e fomos cumprir a rotina da manhã: café, alimentar os bichos do solar, limpar as eventuais sujeiras deixadas por eles. Recolher o lixo. Nesse ínterim, decidimos ir à Raposo (distrito de Itaperuna, RJ) para um passeio antes do almoço. Até que leva os recicláveis para a caixa coletora na praça, até que passa no posto de combustível, já eram 10h 38min. Seguimos estrada... Às 11h 10min passávamos em frente ao Restaurante Cascudão, mas ainda era cedo para almoçar. Assim que dobramos o trevo à direita, no sentido Raposo, já começamos a perceber um trânsito mais intenso, mesmo para um dia de domingo. E eis que, de repente, "caímos"  em uma fila indiana de carros e descobrimos que se tratava da tradicional  festa do Carro de Boi, realizada anualmente naquele distrito. Em determinado momento sinalizamos a um policial que queríamos retornar. Nessa volta, encontramos uma brecha para estacionar e resolvemos dar uma espiadinha na festa. Um "mar de gente"... Também pudera, depois de 2 anos de pandemia! Demos uma volta, nenhuma agência para sacarmos algum dinheiro (em tempos de Pix quem anda com dinheiro em espécie?). Aquele "formigueiro humano" e a sonorização anunciando que em breve viriam os bois em desfile (algo que não desejaríamos ver... coitados dos bois!). Janaina ainda quis comprar uma lembrança para marcar o momento, mas bateu a fome e, com ela, o mau humor. Resolvemos voltar, com promessas de retornamos outro dia. Uma parada no Cascudão para o almoço e depois "Solar amado Lar", com direito a bolo e "champagne". Porque a vida é para ser celebrada, ainda que imperfeita ou doída.

Algumas imagens desse dia tão feliz!!!

As flores do jardim da nossa casa

"A felicidade volta. Ela sempre volta.
A fé vai buscá-la." (Van Luchiari)

Em Raposo

Troca de lembranças e significados

20 rosas
Ano passado, inserimos uma nova tradição: uma rosa para cada ano (vide maio 2021 aqui no blog!). Essa ideia veio de uma série que assistimos na Netflix: "Meu Amor: seis histórias de amor verdadeiro", mais especificamente no episódio 4. Coreia, com Saengja e Yeongsam. O casal cria abalones há muito tempo, mas o corpo de Saengja está mostrando sinais de cansaço. Ela quer seguir trabalhando, no entanto, os filhos querem que ela pare. Uma tradição do casal é comemorar o aniversário de união e, neste dia, Yeongsam compra rosas para a esposa, de acordo com a quantidade de anos vividos em comum. 
"Nenhuma caminhada apressada possibilita a apreciação de uma paisagem. Assim como a impaciência também impede de desfrutar um companheirismo genuíno. Carinho, lealdade e dedicação ajudam a enfrentar as diversas intempéries da vida." (Soraia Alves, Cultura, 15.abr.2021)
São 20 rosas, caro Watson!